Responsabilizar-se
Na prática clínica ultimamente tenho me deparado muitas
vezes com pessoas que tem o costume de colocar toda a “culpa”, toda a
responsabilidade pelo que lhes acontece em algum fator externo.
Vemos os que colocam a culpa pelas suas infelicidades no
chefe, na mãe, no pai, no filho, no mundo, na política e até nos astros.
Se revoltam, brigam, xingam, mas não mexem uma palha para
consertar o que lhes parece errado. Alguns vem procurar a psicoterapia com uma
forma de encontrar um “aliado” ao seu sofrimento, alguém que compreenda o
quanto a vida deles é sofrida e fiquem ao seu lado, ouvindo seus inúmeros
lamentos e se decepcionam ou desistem da ajuda quando percebem que além do
acolhimento, também queremos mudanças em suas atutudes.
Muitas vezes somos sim uma espécie de vítimas das
circunstâncias, mas e aí? O que podemos e devemos fazer com isso? Vejo muitos
pacientes que estruturaram a sua vida se fazendo de vítmas e não conseguem ao
menos enxergar o que fazem. Acreditam tanto em seus “dramas”que não conseguem
enxergam que muitas vezes são os próprios causadores deles, ou que pelo menos
podem escolher a forma como ultrapassá-los. Já dizia Sartre:
“Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu
faço com o que fizeram de mim.”
Mesmo que não tenhamos escolhido as circunstâncias pelas
quais passamos, podemos sim escolher a melhor forma de passar por elas. Isso
muitas vezes é o que diferencia quem terá sucesso e quem não consegue sair do
lugar.
A forma como enfrentamos as mais diversas situações e
adversidades em nossas vidas, nos dirá a força que temos. Vou usar o que passei
para aprender, crescer, reformular e seguir em frente ou vou usar isso para me
lamentar e achar culpados?
Vamos pensar um pouco nisso. O quanto antes pudermos assumir
a responsabilidade sobre nossas vidas, mais rápido poderemos mudá-la e vivermos
a vida que desejamos. Ou pelo menos chegar perto disso.
Todo mundo tem alguma história ou passagem dificil em algum
momento.Eu mesma posso contar algumas. Alguns nasceram num lar desestruturado, outros
foram “obrigados” a trabalhar em algo que não gostam, outros entraram em
casamentos que não os fazem felizes e alguns ainda tem tudo isso junto.
Comece a analisar cada esfera de sua vida e procure o que
não está te fazendo feliz, pense em como você chegou nisso, mas dessa vez sem
colocar a culpa em ninguém. Faça esse balanço e tente pensar em como poderia
ter sido de outra forma. Veja se essa outra forma ainda não é possivel, veja se
ainda há tempo para mudar. Sempre há!
Responsabilidade nada mais é do que a habilidade em
responder. Na nossa sociedade muitas vezes essa palavra muitas vezes é um peso,lembra
culpa, algo ruim, que não queremos. Mas
na sua etmologia nada mais é do que a nossa habilidade em responder. Responder
aos nossos atos. E isso pode fazer toda a diferença.
Pensem nisso!!
Adriana Biem
