"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda"

JUNG

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Responsabilidade


Responsabilizar-se



Na prática clínica ultimamente tenho me deparado muitas vezes com pessoas que tem o costume de colocar toda a “culpa”, toda a responsabilidade pelo que lhes acontece em algum fator externo.

Vemos os que colocam a culpa pelas suas infelicidades no chefe, na mãe, no pai, no filho, no mundo, na política e até nos astros.

Se revoltam, brigam, xingam, mas não mexem uma palha para consertar o que lhes parece errado. Alguns vem procurar a psicoterapia com uma forma de encontrar um “aliado” ao seu sofrimento, alguém que compreenda o quanto a vida deles é sofrida e fiquem ao seu lado, ouvindo seus inúmeros lamentos e se decepcionam ou desistem da ajuda quando percebem que além do acolhimento, também queremos mudanças em suas atutudes.

Muitas vezes somos sim uma espécie de vítimas das circunstâncias, mas e aí? O que podemos e devemos fazer com isso? Vejo muitos pacientes que estruturaram a sua vida se fazendo de vítmas e não conseguem ao menos enxergar o que fazem. Acreditam tanto em seus “dramas”que não conseguem enxergam que muitas vezes são os próprios causadores deles, ou que pelo menos podem escolher a forma como ultrapassá-los. Já dizia Sartre:

“Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.”

Mesmo que não tenhamos escolhido as circunstâncias pelas quais passamos, podemos sim escolher a melhor forma de passar por elas. Isso muitas vezes é o que diferencia quem terá sucesso e quem não consegue sair do lugar.

A forma como enfrentamos as mais diversas situações e adversidades em nossas vidas, nos dirá a força que temos. Vou usar o que passei para aprender, crescer, reformular e seguir em frente ou vou usar isso para me lamentar e achar culpados?

Vamos pensar um pouco nisso. O quanto antes pudermos assumir a responsabilidade sobre nossas vidas, mais rápido poderemos mudá-la e vivermos a vida que desejamos. Ou pelo menos chegar perto disso.

Todo mundo tem alguma história ou passagem dificil em algum momento.Eu mesma posso contar algumas. Alguns nasceram num lar desestruturado, outros foram “obrigados” a trabalhar em algo que não gostam, outros entraram em casamentos que não os fazem felizes e alguns ainda tem tudo isso junto.

Comece a analisar cada esfera de sua vida e procure o que não está te fazendo feliz, pense em como você chegou nisso, mas dessa vez sem colocar a culpa em ninguém. Faça esse balanço e tente pensar em como poderia ter sido de outra forma. Veja se essa outra forma ainda não é possivel, veja se ainda há tempo para mudar. Sempre há!

Responsabilidade nada mais é do que a habilidade em responder. Na nossa sociedade muitas vezes essa palavra muitas vezes é um peso,lembra  culpa, algo ruim, que não queremos. Mas na sua etmologia nada mais é do que a nossa habilidade em responder. Responder aos nossos atos. E isso pode fazer toda a diferença.

Pensem nisso!!

Adriana Biem

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Morre lentamente -Pablo Neruda

Um texto para refletirmos o quanto podemos fazer mais por nós mesmos, o quanto muitas vezes esperamos a ajuda vir do "externo", o quanto muitas vezes não nos responsabilizamos pelos fatos a nossa volta.

"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade."
Pablo Neruda