Seria tão mais bonito se ao invés das pessoas racionalizarem
tudo, elas pudessem sentir mais. Se deixássemo os fatos tocarem mais o nosso
coração.
Na prática clínica muitas vezes percebo a descrença da
pessoa para alguns insights que temos no consultório. Na verdade, não sei bem
se descrença é o nome. Percebo que muitas vezes o que é falado lhes toca, mas
não dá um minuto e lá vem uma justificativa, uma racionalização para aquilo e
assim todo encanto vai embora...
Não estou dizendo para abandonarmos a razão, precisamos dela
sim, e muito! Mas existem momentos tão bonitos na vida, tão únicos e muitas
vezes os desperdiçamos com racionalizações sem propósito, que na verdade só vão
prejudicar a nós mesmos.
Está faltando um pouco mais de sentimento no mundo, as
pessoas precisam se deixar tocar mais vezes, mesmo que aquilo a princípio não
vá trazer soluções práticas, com certeza trará uma expansão de consiciência
significativa.
E por falar em soluções práticas é por isso mesmo que
estamos como estamos. Procuramos sempre a solução mais prática, mais fácil.
Quando estamos doentes, quando o nosso corpo pede descanso, normalmente não o
respeitamos, tomamos um remédio, e no dia seguinte já estamos lá, novamente
atropelando a vida, os sentimentos e os pedidos agonizantes da nossa alma.
O “peso” de sermos
seres racionais é muito grande e reflete nossas atitudes o tempo todo. Será que
também não podemos também sermos seres “sentimentais” ou “de sentir”? Na
verdade também somos, mas isso não é muito valorizado na sociedade em que
vivemos e acabamos deixando o sentir “pra lá”, vemos o sentir como algo
imaturo, inocente e acreditamos que sentir não é coisa de gente grande. Já que
é assim, nos espelhemos nas crianças. Pra que ser gente grande o tempo todo?
Que coisa chata! Sinta, se encante, se surpreenda! Uma dose de inocência não faz
mal a ninguém!
Racionalizar os sentimentos, é deixar de sentir.
“Só
se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” – Saint Exupéry
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